A estratégia da Xiaomi para o mercado dos tablets parece agora mais clara do que nunca. A fabricante chinesa quer oferecer alternativas de peso no ecossistema Android, combinando uma inspiração notória nos produtos da Apple com o melhor hardware disponível na atualidade. Para cimentar esta posição no segmento premium, a empresa revelou recentemente dois equipamentos que ilustram na perfeição esta ambição: o recém-apresentado Pad 8 Pro, lançado globalmente no Mobile World Congress em Barcelona, e o imponente Pad 7 Ultra, um modelo que chegou ao mercado rodeado de enormes expectativas.
O clone perfeito do iPad Pro?
Começando pelo modelo com os olhos postos no mercado global, o Xiaomi Pad 8 Pro não esconde as suas influências. Com molduras pretas bastante finas e um corpo metálico unibody, a estética é inegavelmente familiar. Na verdade, as suas dimensões e peso roçam os valores do rival da maçã, apresentando uns meros 5,75 milímetros de espessura e 485 gramas de peso. Para complementar a experiência e transformar o tablet num computador portátil compacto, a marca desenhou uma série de acessórios que reforçam esta ideia. Existe a Focus Pen Pro, incrivelmente semelhante ao Apple Pencil, e duas opções de teclado: o leve Magic Keyboard Pro e o robusto Magic Keyboard Pro Focus, que inclui um prático touchpad. Curiosamente, a qualidade de construção é excelente em todos os aspetos. Longe vão os tempos das imitações baratas; os materiais são premium e a experiência tátil não desilude.
Hardware de confiança e pequenos atritos de software
Debaixo do ecrã de 11,2 polegadas com resolução de 3,2K, o Pad 8 Pro esconde argumentos de respeito. O processador Snapdragon 8 Elite garante um desempenho sem qualquer tipo de hesitação nas tarefas quotidianas, trabalhando em conjunto com 8 ou 12 GB de memória RAM e opções de armazenamento que variam entre 128 e 512 GB. A componente multimédia sai reforçada pelas quatro colunas com suporte para áudio Hi-Res e Dolby Atmos, enquanto a bateria de 9.200 mAh parece ter energia para dar e vender durante a leitura ou navegação na web, suportando ainda carregamento rápido de 67 watts. É até possível utilizá-lo como ecrã secundário de um Mac.
No campo do software, o HyperOS partilha óbvias parecenças visuais com o iPadOS, desde o próprio design dos ícones. Infelizmente, a herança dos sistemas operativos para telemóveis ainda se faz sentir. Por vezes, tentar organizar os widgets no ecrã torna-se numa tarefa frustrante devido ao espaço vazio mal gerido. Como contraponto positivo, a inteligência artificial da Google está profundamente enraizada no sistema. O Gemini pode ser rapidamente invocado através de um longo toque no botão de energia.
O colosso asiático: Xiaomi Pad 7 Ultra
Se o Pad 8 Pro, disponível nas cores Azul, Cinzento e Verde Pinho, aposta num formato versátil para substituir tarefas leves de um portátil, o Pad 7 Ultra joga numa liga de pura força bruta. Sendo o primeiro tablet da marca a ostentar a designação “Ultra”, o grande destaque vai de imediato para o ecrã OLED de umas generosas 14 polegadas. Este enorme painel partilha a mesma nítida resolução de 3,2K do seu irmão mais novo, mas eleva a fasquia com uma taxa de atualização de 120 Hz e um brilho máximo a atingir os 1.600 nits. Traz ainda suporte para Dolby Vision e HDR 10+, ostentando a certificação TÜV Rheinland para evitar a fadiga ocular.
Força bruta e autonomia inesgotável
O que realmente afasta o Pad 7 Ultra de toda a concorrência é o cérebro que o alimenta. A Xiaomi não poupou esforços e estreou aqui o Xring 01, o seu primeiro processador proprietário, concebido através do eficiente processo de 3 nanómetros. Para garantir que nada falta a este topo de gama baseado em Android 15, o chip trabalha em uníssono com impressionantes 16 GB de RAM e 1 TB de armazenamento ultrarrápido UFS 4.1. O hardware fica completo com oito colunas integradas, Wi-Fi 7, Bluetooth 5.4 e NFC.
Surpreendentemente, ambos os tablets partilham um conjunto de câmaras que muitos considerariam um exagero neste tipo de dispositivos. Na traseira repousa um sensor de 50 megapixéis, que no caso do Ultra é capaz de gravar vídeo 4K a 60 frames por segundo. Já na zona frontal, as videochamadas ficam a cargo de uma lente de 32 megapixéis. Para alimentar toda a exigência de um ecrã de 14 polegadas e deste hardware de ponta, o Pad 7 Ultra recorre a uma massiva bateria de 12.000 mAh, capaz de recuperar energia de forma célere graças à porta USB-C com carregamento rápido de 120 watts.
Enquanto o Pad 8 Pro já se posiciona como um forte candidato global pronto a roubar quota de mercado, o todo-poderoso Pad 7 Ultra permanece, por agora, um monstro tecnológico exclusivo do mercado chinês, sem qualquer indicação oficial de quando atravessará as fronteiras.




