O mercado das telecomunicações em Portugal atravessa um período de agitação sem precedentes. A entrada agressiva da DIGI no panorama nacional obrigou as operadoras instaladas a reagir rapidamente, lançando ou reforçando as suas marcas low-cost para estancar a possível “hemorragia” de clientes. Foi neste contexto de reajustamento de mercado que decidi abandonar o meu antigo tarifário Yorn e testar a resposta da Vodafone a este novo paradigma: a Amigo.
A decisão não foi tomada de ânimo leve. Até dezembro, a minha fatura mensal rondava os 16 euros por 60 GB de dados, um valor que se tornou difícil de justificar face às novas ofertas. A vontade de migrar para a DIGI era real, sobretudo pela experiência positiva que já tinha com a internet fixa da operadora romena. No entanto, o serviço móvel ainda levanta dúvidas. Relatos de inconsistências na rede e, fator crucial para quem vive na área metropolitana de Lisboa, a ausência de cobertura no Metro — infraestrutura onde as operadoras incumbentes ainda não permitiram a entrada da concorrência — fizeram-me recuar. A solução de compromisso recaiu, assim, sobre a Amigo, que na altura ajustou a sua oferta para uns competitivos 100 GB por apenas 5 euros mensais.
A experiência “Amigo”: Prós e contras da opção económica
A transição foi motivada pelo pragmatismo. A rede da Vodafone, sobre a qual a Amigo opera, oferece garantias de estabilidade e cobertura 5G nos locais onde circulo habitualmente. O processo de adesão revelou-se célere: após o pedido online, o cartão chegou em três dias e a portabilidade concluiu-se pouco depois. A utilização prática tem sido irrepreensível, mantendo a qualidade de rede a que estava habituado. Contudo, é importante ressalvar que o preço reduzido acarreta limitações técnicas que o consumidor deve conhecer.
Ao aderir a esta marca, o utilizador aceita um limite de velocidade nos dados móveis, fixado nos 150 Mbps de download e 50 Mbps de upload, mesmo sob cobertura 5G. Embora não sinta que isso afete a minha utilização diária, é uma restrição clara face aos tarifários premium. Além disso, existem ausências notáveis: não há suporte para eSIM, o serviço VoWiFi (chamadas por Wi-Fi) não está disponível e o VoLTE, essencial para a qualidade das chamadas na rede 4G, não vem ativado por defeito, exigindo um pedido manual aos serviços.
Apesar da minha experiência ter sido pacífica, o lançamento não esteve isento de falhas. Tenho conhecimento de situações próximas onde erros nas moradas e atrasos significativos nas portabilidades transformaram a mudança numa dor de cabeça burocrática, alertando para a necessidade de verificar rigorosamente todos os dados no momento da adesão.
Do “low-cost” luso à alta tecnologia no Médio Oriente
Enquanto em Portugal a estratégia passa por defender a quota de mercado através de preços baixos, noutras geografias o Grupo Vodafone aposta na vanguarda tecnológica e no mercado empresarial de alto nível. É o caso do Qatar, onde a operadora acaba de anunciar um passo significativo na sua oferta de conectividade.
A Vodafone Qatar oficializou uma parceria estratégica com a Starlink, tornando-se o primeiro revendedor de serviços B2B (business-to-business) da empresa de satélites naquele país. Este acordo visa responder às necessidades de empresas que operam em ambientes extremos e remotos, onde as redes terrestres tradicionais não chegam ou são insuficientes. O foco está claramente nas indústrias pesadas, como o setor do petróleo e gás, operações marítimas e estaleiros em zonas desérticas.
Conectividade global e Visão 2030
Ao contrário das limitações de velocidade impostas nas marcas de combate em Portugal, a solução apresentada no Qatar promete alta performance. Suportada pela constelação de satélites de baixa órbita da Starlink, a Vodafone Qatar passa a oferecer velocidades de download até 500 Mbps e uma latência extremamente baixa, na ordem dos 20 milissegundos. Esta infraestrutura funcionará também como um sistema de backup robusto, garantindo a continuidade de operações críticas.
Mohamed Mohsin Alyafei, Diretor da Unidade de Negócios Empresariais da Vodafone Qatar, destacou a importância deste marco, afirmando que a parceria não só reforça a infraestrutura de TIC nacional, como está alinhada com a “Visão Nacional 2030” do Qatar para a transformação digital.
Estas duas realidades distintas demonstram a capacidade de adaptação da operadora: num lado, a luta cêntimo a cêntimo pelo consumidor final com serviços simplificados; no outro, o investimento em tecnologia de ponta para sustentar a economia digital e industrial de uma nação.




