A Microsoft viu-se obrigada a lançar, pela segunda vez este mês, uma atualização de emergência para o Windows 11. Esta correção “fora de ciclo” surge após uma vaga de problemas técnicos desencadeados pela atualização de segurança de janeiro de 2026, que deixou muitos utilizadores sem conseguir trabalhar com o Outlook e com ficheiros na nuvem.
Correções de urgência para o Outlook e serviços cloud
O novo “patch” visa resolver um erro crítico que tornava instáveis várias aplicações que interagem com o armazenamento na nuvem. O cenário era particularmente grave para quem utiliza o Outlook: ao tentar aceder a ficheiros PST guardados no OneDrive ou noutros serviços semelhantes, o programa simplesmente deixava de responder ou fechava-se de forma inesperada.
Esta não é a primeira dor de cabeça que a atualização de janeiro causa à equipa de Redmond. Na semana passada, o sistema já tinha apresentado falhas que impediam computadores de se desligarem ou entrarem em hibernação, além de problemas em ligações remotas. Como estas atualizações extraordinárias só são lançadas em casos de extrema gravidade, a boa notícia é que este novo pacote é cumulativo, bastando instalá-lo para resolver todas as falhas acumuladas desde o início do ano.
O braço de ferro entre a IA e a experiência do utilizador
Este caos técnico surge num momento em que a imagem da Microsoft perante os consumidores parece estar a degradar-se. Entre o descontentamento com o excesso de foco no Copilot — a aposta da empresa em Inteligência Artificial que muitos já classificam como intrusiva — e o crescimento invulgar das instalações de Linux face ao fim do Windows 10, a gigante tecnológica enfrenta críticas crescentes. Há quem sinta que a experiência de utilização básica foi sacrificada em prol das ambições de Satya Nadella na área da IA.
O Menu Iniciar tem sido, aliás, o rosto desta frustração. Desde o lançamento do Windows 95 que este elemento é o coração da interface, mas as mudanças introduzidas no Windows 11 — como a publicidade integrada e a secção de “Recomendados” que ocupava metade do ecrã — foram recebidas com bastante resistência.
Uma lufada de ar fresco no Menu Iniciar
Contudo, parece que a Microsoft decidiu finalmente ouvir o “feedback” dos utilizadores. A mais recente atualização traz um Menu Iniciar redesenhado, muito mais fluido e funcional. A interface está agora mais larga, permitindo visualizar oito ícones por linha em vez dos anteriores seis, e a navegação tornou-se mais intuitiva.
Entre as principais novidades, destacam-se:
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Gestão de Itens Fixos: Agora é possível expandir ou recolher a grelha de aplicações fixadas num único painel, eliminando a necessidade de andar a saltar entre páginas.
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Controlo sobre os “Recomendados”: Embora a secção continue ativa por defeito, os utilizadores podem finalmente desativá-la nas definições.
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Lista de Aplicações Simplificada: A lista completa de programas instalados está agora integrada no painel principal, evitando aquele botão minúsculo que existia anteriormente. É possível organizar as apps por ordem alfabética (em lista ou grelha) ou por pastas categorizadas.
Apesar de ainda manter alguns elementos questionáveis, como os painéis laterais dedicados ao Phone Link e as definições de conta, esta reestruturação é o sinal mais claro, em muito tempo, de que a Microsoft está a tentar simplificar o sistema e a dar prioridade àquilo que os utilizadores realmente pedem.



